Wednesday, April 27, 2005

Objeto para ser destruído

Quando se vive em uma cidade grande, a estruturação do espaço como um todo
torna-se de algum modo arquitetônica.
Na série“Objeto para ser destruído” pensa-se mais em espaços metafóricos,
lacunas, lugares que sobraram, viadutos e áreas não edificáveis.
As expansões dos materiais supracitadas têm por base, no século XXl,

uma oposição que funciona de forma complementar: destruição da forma e/ou culto do material.
As fotos de Walter Contreras servem a essa tipologia,
como uma espécie de arqueologia,
por meio de registrar e da encenação efêmera da destruição da forma.
Trata-se de uma inversão da estética do objeto, a qual estabelece o sincretismo do mundo,

uma anomalia selvagem, através de associações.
Ela constrói uma decomposição disjuntiva das associações não mais legíveis, quando o objeto não é estabelecido através de declarações, mas sim aceito e visto como realidade implícita, de modo que o próprio objeto se coloca então sob o signo de uma outra prática, tornando-se com isso passível de mutação.
A lógica dual da vontade e da matéria dá lugar, a uma lógica triádica: vontade-projeto-deslocamento.
A insistência do efetivo que vem à tona através de sua ótica, fomenta e articula a resistência do real.
Trata-se de construir resistências.
É por isso que, atualmente, os esforços estéticos e as práticas artísticas desenvolvidas deslocam-se de maneira decidida da representação para a atividade, da mimese para a ação experimental.
Os lugares da arte não se originam nas imagens, as imagens obtêm seu lugar através da ação.
Procurar lugares para a mensagem artística e um elemento essencial do processo de encontrar imagens de uma arte que não mais se esgota na obra, mas antes procura formas abertas de ação.
Com isso muda-se também o material sígnico, o arranjo e a linguagem da arte.
Ela torna-se capaz de presença na medida em que mediatiza a si própria enquanto experimento e ação.
Ela se liberta do quadro estático dos significados atribuíveis e fixos.
Ela abandona a natureza morta do sentido e suas características.
Seu campo de criação abandona a superfície.
Da imagem-espaço de até agora emerge necessariamente a imagem-tempo: topografia de ações e não mais de referências.

Sem título, Cibachrome, 150 x 200 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 150 x 200 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 150 x 200 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 100 x 120 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 150 x 200 cm, 2005/ Foto selecionada p/ 1º Salão Paralelo a 26º Bienal-SP)

Sem título, Cibachrome, 150 x 200 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 200 x 150 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 150 x 200 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 200 x 150 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 180 x 210 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 150 x 200 cm, 2005

Monday, April 18, 2005


Sem título, Cibachrome, 120 x 120 cm, 2005

Sem título, Cibachrome, 120 x 120 cm, 2005